

Às vezes,
eu me pergunto…
Se tudo isso acabasse hoje,
Será que alguém perceberia
Que eu também estou cansado?
Ou só perguntariam
Quem vai lutar amanhã?
Eu aprendi a esconder o medo,
A transformar o vazio em proteção.
A sorrir quando tudo desmorona,
A chamar de força a exaustão.
Carrego nomes que não esqueço,
Promessas que não sei cumprir.
E cada vez que salvo alguém,
Parece que me perco um pouco aqui.
Olho minhas mãos…
E lembro do que fiz.
Quantas vezes eu disse "está tudo bem"
Quando nem eu acreditei nisso?
Se eu tirar essa armadura,
O que vai restar de mim?
Se eu não puder salvar ninguém,
Ainda mereço estar aqui?
Eu não quero ser eterno,
Não quero ser imortal.
Só queria uma noite serena,
Sem esperar pelo próximo final.
Eu não quero carregar o mundo,
Nem fingir que não senti.
Só queria voltar pra casa…
E encontrar quem deixei ali.
Todos enxergam a máquina,
O nome que aprenderam a temer.
Mas ninguém pergunta ao homem
Quanto custa sobreviver.
Eu já vi o céu desabar,
Já vi a esperança se partir.
E mesmo quando tudo termina,
Alguma coisa continua aqui.
Não é raiva.
Não é coragem. Não é vontade de lutar.
É só o medo de fechar os olhos E não ter mais
ninguém pra encontrar.
Cinthia…
Se algum dia eu voltar diferente,
Se meus olhos já não forem os mesmos,
Não me pergunte quantos eu enfrentei.
Pergunte se, no meio de tudo,
Eu ainda me lembro
De quem eu era antes.
Porque eu tenho medo…
Não de morrer.
Mas de continuar vivendo
E esquecer por que comecei.
Eu não quero ser eterno,
Não quero ser imortal.
Não preciso vencer o universo,
Nem sobreviver a todo final.
Se ainda existe um caminho,
Se ainda existe um lugar pra mim,
Eu só quero descansar.