

O aço range
na pista
fria de Lisboa
O suor escorre
na palma da mão
A turbina arranca
e o peito ressoa
Preso a esta cinta
sem ter salvação (ah)
As nuvens fecham
a vista ao mar
O abismo espera
a qualquer tremor
Dez mil metros para me afundar
Falta o chão
sob os meus pés
Preso nas asas da vertigem cruel
Rezo a santos que não sei quem és
Fecho os olhos
no frio do céu
(no frio do céu)
A fuselagem estala ao vento agreste
Cada solavanco pára o meu pulsar
Não há terra firme neste norte ou leste
Só o ferro
cego a flutuar
Falta o chão
sob os meus pés
Preso nas asas da vertigem cruel
Rezo a santos que não sei quem és
Fecho os olhos
no frio do céu (ai,
que me falta o chão)
Frio do céu...
Quero pisar a terra outra vez... (hummmm)