

Ô-ô-ô,
ô-ô-ô Ô-ô-ô, ô-ô-ô
Na carteira, atrás da identidade dorme um papel que o tempo desbotou
Fila B,
portão três, março, sábado
a sua letra na caneta que falhou Você rasgou
no meio pra dar sorte "cada um guarda um pedaço até voltar"
O ônibus da estrada te levou pro norte e a minha parte
ficou de te esperar
Eu guardei a minha metade
dobrada em quatro, sem amassar
Se um dia a vida te trouxer de volta
o resto do show tá no lugar
Troquei de casa, de cidade,
de bolsa
mudei o corte, aprendi a dirigir
Joguei fora as cartas,
as fotos, a escova mas esse papel eu nunca deixei sair
Hoje o rádio anunciou a mesma banda
mesmo estádio, vinte anos depois Comprei um só,
cadeira de arquibancada e a fila B ainda tem lugar pra dois
E quando apagarem as luzes e o chão tremer debaixo do pé
eu vou erguer esse pedaço de papel pra ver se ainda é
você
Eu guardei a minha metade dobrada em quatro,
sem amassar
No meio de cinquenta mil isqueiros eu tô aqui,
no mesmo lugar Ô-ô-ô,
fila B, portão três Ô-ô-ô,
me deixa te ver outra vez
Na tela gigante passa a plateia um casaco cinza,
um braço lá no ar
e na mão dele um papel rasgado torto que só no meu
encaixa no lugar
Eu guardei a minha metade dobrada em quatro,
sem amassar
No meio de cinquenta mil isqueiros eu tô aqui,
no mesmo lugar
Eu guardei a minha metade você guardou a sua até o fim
No meio de cinquenta mil isqueiros o ingresso inteiro,
você junto de mim Ô-ô-ô,
fila B, portão três Ô-ô-ô,
me deixa te ver outra vez
Ô-ô-ô, fila B, portão três Ô-ô-ô,
ô-ô-ô