

Abro o jornal da manhã
e vejo a moldura
No canto esquerdo,
ao fundo
da rua
Estou lá parado,
com cara de quem procura
Numa viagem
que nunca foi minha,
nem tua
Naquela festa de Verão
em que não entrei
No brinde de copo
erguido ao luar
Sorrio de lado para alguém que não sei
Como se o tempo me quisesse inventar (hummmm)
Sou o fantasma que a lente guardou
O intruso que a prata fixou na
imagem
Ninguém me viu mas a luz registou
O meu rasto perdido em cada
viagem (naquela imagem)
Fitas de cinema,
recortes de cor
Um intruso cinzento
na vossa memória
Sem ter bilhete,
sem medo ou dor
Escrevo a lápis a vossa história
Sou o fantasma que a lente guardou
O intruso que a prata fixou na imagem
Ninguém me viu mas a luz registou
O meu rasto perdido em cada viagem
(estou sempre lá)
Perdido na revelação...
(ooh) Naquela margem do Douro...
No papel químico,
a desaparecer...