
Tem hora que a palavra
Não dá conta do lugar
E a tarde abre a janela
Pro silêncio entrar
Adrisio sabe de frases De imagem e de invenção
Já deu nome a tanta coisa Que escapava pela mão
Mas no fim da Beira-Mar
Com o sol de frente pro cais
Um pedaço de silêncio Vale mais que qualquer cartaz
O Mucuripe vai ficando
Cor de cobre, cor de chá
Cada barco tem um rumo Que não precisa anunciar
Todo mundo vende sonhos
Alguns tentam explicar
Mas ninguém consegue pôr preço Numa tarde à beira-mar
Há um mundo pedindo pressa
Outro mundo pedindo paz Quem conhece tantas vozes
Também quer ouvir as do cais
O mar não tem slogan
Nem precisa convencer
Muda a frase, muda o tempo
Sem deixar de acontecer
E se a vida pede pressa Eu prefiro demorar
Há verdades que só cabem No silêncio de olhar o mar
(Ah, o mar...) No silêncio de olhar o mar
Na mesa um café esfria
Um rascunho por terminar Tanta ideia ganha o mundo
Outra espera pelo ar Tem a cidade que reclama
Da beleza que não vê
E quem aprende a ler o mundo
Também pode se perder
Há um mundo pedindo pressa Outro mundo pedindo paz
E o que a gente leva da vida
Quase nunca é o que faz
O mar não tem slogan
Nem precisa convencer
Muda a frase, muda o tempo
Sem deixar de acontecer
E se a vida pede pressa
Eu prefiro demorar
Há verdades que só cabem
No silêncio de olhar o mar
Não precisa de promessa Nem de grande explicação
O amor, o tempo e a saudade
Nunca couberam num bordão
Ele fecha o seu caderno
Sem mais nada pra provar
E descobre que o futuro
Também sabe esperar
O mar não tem slogan
Nem precisa convencer
Muda a frase, muda o tempo
Sem deixar de acontecer
E se a vida pede pressa
Eu prefiro demorar
Há verdades que só cabem
No silêncio de olhar o mar
Fortaleza acende ao longe
Outra noite vai chegar
Quem passou a vida em frases
Deixa o vento terminar (Ah,
o mar...)
Deixa o vento terminar