

Antes de dar por mim,
já estou a responder.
O corpo contrai-se.
A respiração encurta.
Uma frase antiga atravessa-me.
Não sou capaz.
Conheço este lugar.
O mesmo impulso.
O mesmo recuo.
A mesma história a
escolher por mim.
Chamo-lhe feitio.
Chamo-lhe destino.
E volto a fazer o
que sempre fiz.
O medo chega antes das palavras.
A ferida reconhece uma sombra e prepara a defesa.
Às vezes, fujo. Às vezes,
ataco.
Às vezes, fico tão quieto
que deixo de me ouvir.
Confundo
o que sinto
com aquilo que sou.
E a repetição
parece a única saída.
Mas agora…
Há um pensamento a acontecer.
Consigo vê-lo chegar.
Consigo ouvi-lo
sem lhe entregar a minha voz.
O medo continua aqui.
E eu também.
Entre o impulso e o gesto,
abre-se um espaço.
Pequeno.
Real.
Talvez eu possa ficar e
escutar. Não
preciso de expulsar
a sombra. Posso reconhecer a ferida
sem lhe entregar o caminho.
Levanto
o olhar.
COROA.
Há espaço acima do ruído.
Há espaço dentro de mim.
Posso sentir sem obedecer.
Posso recordar sem repetir.
Escuto o corpo.
Reconheço
o que vivi.
Dou lugar ao que dói.
Há medo em mim.
Há coragem também.
Respiro.
QUEM ESCOLHE AGORA?
EU. EU.
Não o medo. EU.
Não a ferida.
EU.
Não a repetição.
EU.
Não aquilo que fizeram de mim.
EU RECONHEÇO O QUE SINTO.
EU COMPREENDO O QUE PENSO.
EU ESCOLHO O QUE FAÇO.
EU RECONHEÇO O QUE SINTO.
EU COMPREENDO O QUE PENSO.
EU ESCOLHO O QUE FAÇO.
EU RECONHEÇO O QUE SINTO.
EU COMPREENDO O QUE PENSO.
EU ESCOLHO O QUE FAÇO.
Eu vejo. Eu reconheço. Eu
compreendo. Eu integro. Eu escolho.
TIME.