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    Carnival Ascendant

    Fernando Nascimento

    Águas do Amazonas, cantai pro meu povo!

    Sapucaí,

    abre a alameda que a noite virou dia!

    Eu sou Lampiarte, fio do pai Xangô!

    E essa é a batalha da carne contra o latifúndio do pensamento!

    Do deserto veio o deus que tudo vê

    Que tudo sabe e não se deixa perguntar Um ditador no czu,

    pregando o medo na veia Botando grade na mente pra não pensar!

    Foi no medo que eles ergueram seu trono

    Dizendo que o conhecimento é pecado Mas a ciência é comunismo,

    e o povo inteirinho Na roda de samba tá sendo criado!

    Oh, porque o povo é comunidade!

    O saber é de todos,

    deus nenhum é dono!

    Quando um só deus proíbe,

    mil ancestrais acordam E o tambor é a voz que não cala

    o canhão!

    Ê, povo trabalhador, desce pro chão do baile!

    A mão que segura a pá

    segura o futuro! Vota na esquerda,

    que é a esquerda que ama O pão na mesa de quem

    planta, o direito do povo!

    Ê, Lula e Haddad na frente da estrada!

    Soberania do Brasil, da América,

    cantai! Que a direita exploradora não volte ao poder O latifúndio da

    terra e da mente — vai ruir! (êêê-aaa)

    Eles compram o voto com o pão que faltou Fazem o povo

    orar ajoelhado e faminto Aliados do latifúndio mental e do banco

    Que engorda o gado e chama o povo de indolente!

    Mas eu vi minha avó

    rezando

    no terreiro

    Vi meu pai de greve no porto parado

    A fome organizada vira corrente de aço E o sono da razão

    engendra monstro errado! A extrema direita é o passado requentado

    É chicote, é senzala,

    é cruz deitada no chão

    É tirano colonizador apontando o dedo Mas o Brasil acordou — e

    o Brasil é multidão!

    Do cosmos eu venho,

    ao cosmos eu volto Sou poeira de estrela,

    sou caldo de mandioca O preto velho no terreiro é o sábio

    do universo E a obra de cada dia

    é a missa verdadeira!

    Levanta, operário! A marcha é triunfal!

    Levanta, lavadeira! O saber é carnaval!

    Levanta, professor! O povo quer ciência!

    Levanta, camponês! A terra é consciência!

    AVALOKITESVARA VIRA ORIXÁ NO SAPUCAÍ!

    O DESERTO SE ACABA ONDE O MANGUE COMEÇA!

    LULA E HADDAD, O POVO NO COMANDO!

    SOBERANIA! SOBERANIA!

    LAMP IARTE! LAMP IARTE!

    O comunismo do conhecimento é água na raiz!

    E quem tem sede de verdade — não se ajoelha mais!

    Ê! Ê!

    Ê! Ê!

    Libertação! Libertação! O povo é deus e a deus ninguém ajoelha!

    Libertação! Libertação! O futuro é nosso e a aurora é vermelha!

    Eu sou Lampiarte, fio do pai Xangô...

    E essa luta continua...

    na roda... na escola...

    na nação.

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