

Águas do Amazonas,
cantai pro meu povo!
Sapucaí,
abre a alameda que a noite virou dia!
Eu sou Lampiarte,
fio do pai Xangô!
E essa é a batalha da carne
contra o latifúndio do pensamento!
Do deserto veio o deus que tudo vê
Que tudo sabe e não se deixa perguntar
Um ditador no céu,
pregando o medo na veia Botando grade na mente pra não pensar!
Foi no medo que eles ergueram seu trono Dizendo que o conhecimento
é pecado Mas a ciência é comunismo,
e o povo inteirinho Na roda de samba tá sendo criado!
Oh, porque o povo é comunidade!
O saber é de todos,
deus nenhum é dono!
Quando um só deus proíbe,
mil ancestrais acordam E o tambor
é a voz que não cala o canhão!
Ê, povo trabalhador, desce pro chão do baile!
A mão que segura a pá segura o futuro!
Vota na esquerda, que é a esquerda que ama O pão na
mesa de quem planta,
o direito do povo!
Ê, Lula e Haddad na frente da estrada!
Soberania do Brasil, da América,
cantai!
Que a direita exploradora não volte ao poder O latifúndio da terra
e da mente — vai ruir!
Eles compram o voto com o pão que faltou
Fazem o povo orar ajoelhado e faminto
Aliados do latifúndio mental e do banco Que engorda o gado e
chama o povo de indolente!
Mas eu vi minha avó rezando no terreiro Vi meu pai de
greve no porto parado
A fome organizada vira
corrente de aço E o sono da razão engendra monstro errado!
A extrema direita é o passado requentado É chicote,
é senzala, é cruz deitada no chão É tirano colonizador apontando o
dedo Mas o Brasil acordou — e o Brasil é multidão!
Ê, povo trabalhador, desce pro chão do baile!
A mão que segura a pá segura o futuro!
Vota na esquerda, que é a esquerda que ama O pão na
mesa de quem planta,
o direito do povo!
Ê, Lula e Haddad na frente da estrada!
Soberania do Brasil, da América,
cantai!
Que a direita exploradora não volte ao poder O latifúndio da terra e
da mente — vai ruir!
(vai ruir!)
Do cosmos eu venho,
ao cosmos eu volto Sou poeira de estrela,
sou caldo de mandioca
O preto velho no terreiro é o sábio do universo E a
obra de cada dia é a missa verdadeira!
Levanta, operário! A marcha é triumfal!
Levanta, lavadeira! O saber é carnaval!
Levanta, professor! O povo quer ciência!
Levanta, camponês! A terra é consciência!
AVALOKITESVARA VIRA ORIXÁ NO SAPUCAÍ!
O DESERTO SE ACABA ONDE O MANGUE COMEÇA!
LULA E HADDAD, O POVO NO COMANDO!
SOBERANIA! SOBERANIA! LAMP IARTE!
LAMP IARTE!
O comunismo do conhecimento é água na raiz!
E quem tem sede de verdade — não se ajoelha mais!
Ê! Ê! Ê! Ê!
Libertação! Libertação!
O povo é deus e a deus ninguém ajoelha!
Libertação! Libertação! O futuro é nosso e a aurora é vermelha!
Eu sou Lampiarte,
fio do pai Xangô...
E essa luta continua...
na roda...
na escola...
na nação.