

Quando as
caravelas cruzaram o oceano,
carregavam dois instrumentos afiados...
a espada
de aço...
e a espada de papel.
A Bíblia e o latifúndio...
nasceram gêmeos.
1500 no horizonte, dois cortes num só gesto: aço no pescoço,
papel no resto. Não vieram só pelo ouro — vieram pela cosmologia,
incendiaram pirâmides de conhecimento,
queimaram cada poesia. Calendário maia proibido,
medicina de pajé chamada de pecado,
teologia dos Orixás torturada até virar pecado sagrado.
Não foi evangelização — foi apagamento programado,
pra plantar no cérebro alheio o maior latifúndio já registrado!
Latifúndio Mental: terra de alma cercada por arame farpado,
onde o pensamento indígena foi proibido de ser plantado!
Roubaram a terra e chamaram os despojados de atrasados!
Roubaram a riqueza e chamaram a miséria de destino!
Roubaram a alma e chamaram de salvação!
E o crime mais perfeito da história...
ainda paga dividendos!
Espada e evangelho!
(hey!) Espada e evangelho! (hey!)
Dois cortes do mesmo golpe,
um só senhorio!
Espada e evangelho!
(hey!) Espada e evangelho!
(hey!) Roubaram o ouro,
a terra, a alma — e eu vim cobrar o meu!
Devolve o ouro! Devolve a terra!
Devolve o sagrado! O latifúndio mental cai quando o povo acorda armado...
armado de memória! Armado de memória!
Crime perfeito:
o ladrão escreveu o código penal!
A vítima aprendeu a rezar pro algoz em nome paternal!
Chamaram subdesenvolvido quem desenvolveu por milênios,
chamaram descoberta o saque,
chamaram ordem o veneno!
A espada saqueou o corpo,
o papel saqueou a mente,
um roubo em dupla assinatura — tratado,
cruz e documento urgente!
Mas a memória não morre: ela dorme sob a cinza,
e quando o povo desperta,
a história recomeça sem tiranos de igreja e cinza!
O rio ainda lembra o nome que deram ao mundo,
a floresta ainda guarda o chão de antigos povos sãos.
O tambor que tentaram calar ainda pulsa no fundo — e cada
batida é um veredito: nós não fomos vencidos,
fomos adiados.
E o adiamento acabou.
O adiamento acabou.
Pirâmide! (Reconstrói!) Calendário! (Reconstrói!) Medicina!
(Reconstrói!) Teologia! (Reconstrói!) Nada foi descoberto — tudo foi saqueado!
Nada foi civilizado — tudo foi domado!
Mas o latifúndio mental tem prazo de validade: quando o colonizado desperta...
vira colono da realidade!
Espada e evangelho! (hey!) Espada e evangelho! (hey!)
Dois cortes do mesmo golpe,
um só senhorio!
Espada e evangelho! (hey!) Espada e evangelho!
(hey!) Roubaram o ouro,
a terra, a alma — e eu vim cobrar o meu!
Devolve o ouro! Devolve a terra!
Devolve o sagrado! O latifúndio mental cai quando o povo acorda armado...
armado de memória!
Armado de memória!
O ladrão escreveu o código penal...
mas esqueceu de uma cláusula:
a memória dos povos...
não tem prescrição.