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    Vinagre na Rua

    Diogo Sousa

    (scratch) Yeah...

    Histórias da rua.

    O asfalto está frio e o destino não perdoa.

    Escuta.

    A noite cai na cidade e eu sigo na berma,

    Numa corrida invisível que parece eterna.

    Caminho no escuro, sem rumo,

    fustigado pela tormenta, Segurando uma besta,

    com a mente que não aguenta.

    Como um rato desajeitado,

    pela estrada a caminhar,

    À procura de um abrigo para o corpo descansar.

    Eu precisava de um carinho que a vida nunca me deu,

    Neste deserto de betão onde o respeito morreu.

    E para aquecer o peito,

    no meio do desalento,

    E bebia com jeitinho um vinagre que me ofereciam ao relento.

    Era tão bom que até estalava,

    o travo queimava,

    Mas pobre seria eu acho,

    enquanto a mente voava.

    A bebedeira que seria tramada,

    o corpo no chão,

    É o efeito do vinagre a bater no coração.

    Mais uma noite escura,

    mais um copo na mão,

    Escondido do mundo, na mais pura solidão.

    O efeito subiu à cabeça,

    o mundo começou a girar,

    Peguei no telefone, com medo do que ia encontrar.

    Liguei à patroa a lhe contar a minha triste situação,

    Disse que abananado estarei a chegar ao nosso portão.

    Mas o aviso foi claro,

    ela não quis saber da fumaça,

    Mas ela a segurar a vassoura vai trabalhar com toda a raça!

    Se eu passo daquela porta,

    a coisa vai ficar preta,

    Vou levar uma coça que me vira a caderneta.

    Era tão bom que até estalava,

    o travo queimava, Mas pobre seria eu acho,

    enquanto a mente voava.

    A bebedeira que seria tramada,

    o corpo no chão,

    É o efeito do vinagre a bater no coração.

    Mais uma noite escura,

    mais um copo na mão,

    Escondido do mundo, na mais pura solidão.

    Que remédio foi o meu...

    sem teto, sem céu.

    Parecia um ateu... o orgulho morreu.

    Fiquei trancado cá fora,

    sem direito à viagem,

    Até na garagem... a congelar na paragem.

    Só eu e o frio...

    e o bafo que resta.

    O vinagre acabou... e acabou-se a festa. (chattering-teeth)

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