

A poeira levanta na berma da estrada,
A carrinha da Pinguim avança na alvorada.
Lá dentro vai a dupla que a vila bem conhece,
Entre o fumo e o álcool,
a rotina acontece. Eu sou o Pai Beato Salo,
o velho da carcaça,
Ando todo porco, coberto de desgraça.
Olho para o lado,
o meu destino está traçado,
Com o meu Filho Pinguim,
este rapaz endiabrado.
O filho fuma iqos,
na sua vaidade,
E eu apanho as beatas
que o meu filho fuma na cidade.
Bebo às escondidas no banco de trás da carrinha,
A afogar as mágoas nesta minha vidinha.
O banjo chora alto,
a estrada é o meu trilho,
Nesta saga maluca
entre um pai e um filho.
Paramos no posto para a dose diária,
A minha carteira está sempre precária.
Vou comprar 4 cigarros e fumo-os logo de seguida,
Para queimar o stresse desta f**ida vida.
O rapaz queixa-se que a estrada é violenta,
E que o assento da carrinha
já não agenta. Para ele não chorar com o bater do asfalto,
Chego vaselina no rabo dele para não doer tão alto.
O filho fuma iqos,
na sua vaidade, E eu apanho as beatas
que o meu filho fuma na cidade.
Bebo às escondidas no banco de trás da carrinha,
A afogar as mágoas nesta minha vidinha.
O banjo chora alto,
a estrada é o meu trilho,
Nesta saga maluca
entre um pai e um filho.
Finalmente a viagem chega ao seu destino,
Chego à obra com o estômago de um suíno.
A urgência aperta, a tripa já dá o nó,
E tenho de ir à casa de banho,
f**ido e suado de pó.
Mas o estaleiro está sujo,
não dá para aguentar,
Mando o trabalho pró caralho e vou ao café relaxar!
Pai Beato Salo
e o Filho Pinguim...
Na carrinha da Pinguim Express,
até ao fim.
Pouca vaselina... mais um trago escondido...
Vou ao café... que o dia já está perdido.