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    Carrinha da Pinguim

    Diogo Sousa

    A poeira levanta na berma da estrada,

    A carrinha da Pinguim

    avança na alvorada. Lá dentro vai a dupla que a vila bem

    conhece, Entre o fumo e o álcool,

    a rotina acontece. Eu sou o Pai Beato Salo,

    o velho da carcaça,

    Ando todo porco, coberto de desgraça.

    Olho para o lado,

    o meu destino está traçado,

    Com o meu Filho Pinguim,

    este rapaz endiabrado. O filho fuma iqos,

    na sua vaidade, E eu apanho as beatas que o meu filho

    fuma na cidade. Bebo às escondidas no banco de trás da carrinha,

    A afogar as mágoas nesta minha vidinha.

    O banjo chora alto,

    a estrada é o meu trilho,

    Nesta saga maluca

    entre um pai e um filho.

    Paramos no posto para a dose diária,

    A minha carteira está sempre precária.

    Vou comprar 4 cigarros e fumo-os logo de seguida,

    Para queimar o stresse desta f**ida vida.

    O rapaz queixa-se que a estrada é violenta,

    E que o assento da carrinha já não agenta.

    Para ele não chorar

    com o bater do asfalto,

    Chego vaselina no rabo dele para não doer tão alto.

    O filho fuma iqos,

    na sua vaidade, E eu apanho as beatas que o meu filho

    fuma na cidade.

    Bebo às escondidas no banco de trás da carrinha,

    A afogar as mágoas nesta minha vidinha.

    O banjo chora alto,

    a estrada é o meu trilho,

    Nesta saga maluca

    entre um pai e um filho.

    Finalmente a viagem

    chega ao seu destino,

    Chego à obra com o estômago de um suíno.

    A urgência aperta, a tripa já dá o nó,

    E tenho de ir à casa de banho,

    f**ido e suado de pó.

    Mas o estaleiro está sujo,

    não dá para aguentar,

    Mando o trabalho pró caralho e vou ao café relaxar!

    Pai Beato Salo e o Filho Pinguim...

    Na carrinha da Pinguim Express,

    até ao fim.

    Pouca vaselina... mais um trago escondido...

    Vou ao café... que o dia já está perdido.

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