

(yeah) Tive a sorte na mão por um segundo.
Mas a rua não perdoa
e o azar voltou logo a
seguir. Escuta.
Lembro-me bem do dia em que mudei a rotina,
Gastei o último troco e ganhei dinheiro numa raspadinha.
Achei que ia sair deste poço,
que a vida ia mudar,
Mas a ilusão dura pouco quando não te deixam sonhar.
A minha mulher tirou-me o dinheiro todo para não gastar,
Disse que geria a conta,
que era para me resguardar.
Fiquei sem um tostão do prémio,
de mãos a abanar,
E a revolta no meu peito começou a queimar.
A vida bate com força,
o asfalto é duro e frio,
E o homem que ganhou o prémio voltou para o vazio.
O corpo ressente-se da queda,
as feridas voltam a abrir,
Mas eu crio a minha carcaça para conseguir seguir.
Passo vaselina para doer pouquinho,
ya, eu aguento o embate,
Enquanto o meu coração na solidão bate.
Escondo a garrafa no casaco,
longe da vista do mundo,
Bebo vinho às escondidas,
no meu silêncio profundo.
É o único trago que me resta para esquecer a traição,
Enquanto volto ao asfalto de cabeça baixa no chão.
Apanho beatas do chão,
procuro o fumo da berma,
Nesta procura constante que parece eterna.
Beatu salu, a minha mente está dividida,
Apanho beatas do chão e bebo vinho às escondidas.
Tive o prémio na mão,
mas a sorte foi traída,
Beatu salu, são as voltas da minha vida.
Beatu salu... ninguém vê a minha dor,
O copo na sombra é o meu único protetor.
Ganhei dinheiro numa raspadinha...
mas não vi a cor dele.
A mulher tirou-me o dinheiro todo...
e eu voltei à pele.
Passo vaselina para doer pouquinho...
calejado na calçada. Beatu salu...
da riqueza à negaça,
não sobrou nada. Bebo vinho às escondidas...
Apanho beatas do chão...