

(clink clink clink) (pshhht) (footsteps on concrete)
Yeah...
Da riqueza à sarjeta num piscar de olhos.
Tive o mundo na mão
e hoje estou aqui.
Escuta.
Lembro-me bem do dia em que o papel sorriu,
Apanhei os números certos,
o meu peito explodiu.
Ganhei a lotaria, pensei que o azar tinha fim,
Achei que o mundo finalmente ia olhar por mim.
Mas o guito subiu à cabeça de quem geria a conta,
A minha mulher ficou com o dinheiro,
deixou-me na ponta. Levou os milhões,
a casa, o tecto e o sossego,
E eu voltei ao início,
sem eira nem beira,
sem emprego. O luxo foi-se embora,
a ilusão desabou, Olha para mim agora,
vê o que de mim restou.
De cabeça baixa, sem norte e sem direção,
Apanho beatas do chão para acalmar o coração.
O bolso está vazio,
mas a mente está cheia de nós,
E bebo vinho às escondidas de todos,
na minha voz.
Tive tudo nas mãos,
hoje não tenho nada,
Sou só mais uma sombra a caminhar na calçada.
Escondo a garrafa no casaco para ninguém desconfiar,
O homem que foi milionário e agora não tem onde morar.
Bebo um trago no escuro,
o travo do vinho é amargo,
É o único refúgio para o peso deste encargo.
Quem me via no topo hoje nem me diz bom dia,
A vida é uma roda que gira sem simpatia.
Procuro no asfalto o fumo que alguém rejeitou,
A recolher os restos do que o vento não levou.
Um brinde à traição,
um brinde à minha sorte,
Que me deu milhões e me deixou sem norte.
De cabeça baixa, sem norte e sem direção,
Apanho beatas do chão para acalmar o coração.
O bolso está vazio,
mas a mente está cheia de nós,
E bebo vinho às escondidas de todos,
na minha voz. Tive tudo nas mãos,
hoje
não tenho nada, Sou só mais uma sombra a caminhar na calçada.
Apanho beatas do chão...
onde o prémio caiu.
A minha mulher ficou com o dinheiro...
e o amor sumiu.
Bebo vinho às escondidas de todos...
para esquecer quem eu era.
O bilhete era premiado...
mas a vida
não espera. (shhhhk)