

(click... fff-ahhh)
Diz-lhes como é a rotina...
O que a rua não conta,
a gente canta. Olha para isto.
Caminho na berma com os olhos focados,
Pelos cantos da rua,
nos cantos cinzentos e isolados.
Ninguém repara no rumo que eu levo,
Nas linhas tortas da história que eu escrevo.
O bolso está vazio mas a mente está cheia,
A ansiedade aperta e a rotina encadeia.
O que o mundo descarta torna-se o meu abrigo,
Neste deserto urbano onde ando sozinho comigo.
Beatu salu, apanho beatas do chão e bebo às escondidas,
A tentar dar a volta a estas voltas da vida.
Beatu salu, apanho beatas do chão e bebo às escondidas,
Histórias secretas que não foram ouvidas.
Sou eu e a calçada,
o copo e a fumaça,
A ver o tempo a correr enquanto a vida passa.
Guardo a garrafa bem longe dos olhares,
Para não ter de explicar o que não sei explicar aos lugares.
É um trago no escuro,
um gole no silêncio,
Para anestesiar este peso que eu vivencio.
E depois volto à rua,
o ritual repete-se no asfalto,
Onde o orgulho não fala e o silêncio é bem alto.
Um filtro perdido, um resto que brilha na berma,
Nesta procura constante que parece eterna.
Beatu salu, apanho beatas do chão e bebo às escondidas,
A tentar dar a volta a estas voltas da vida.
Beatu salu, apanho beatas do chão e bebo às escondidas,
Histórias secretas que não foram ouvidas.
Sou eu e a calçada,
o copo e a fumaça,
A ver o tempo a correr enquanto a vida passa.
Beatu salu... na calçada fria.
Bebo às escondidas... à espera de outro dia.
Olhar para o chão...
O fumo a subir...
Yeah.