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    Passos na Esquina

    Diogo Sousa

    (Yeah...) Linhas da vida escritas no escuro.

    Ninguém vê, ninguém sabe. (Escuta...)

    O dia cai e eu visto a minha armadura,

    Caminho sozinho onde a noite é mais escura.

    Olho para o chão,

    o meu foco está lá em baixo,

    Entre passos perdidos, no entulho é que eu me acho.

    Mais uma beata caída no cimento,

    Apanho-a do chão para queimar o sofrimento.

    Risco o fósforo, sinto o fumo a entrar,

    É o pequeno alívio para a mente não parar.

    Mas o peso no peito não se cura com o fumo,

    Vou à procura do copo para perder o rumo.

    Bebo muito vinho, mas é às escondidas,

    A curar em segredo estas velhas feridas.

    Apanho beatas do chão da cidade,

    À procura de um resto de dignidade.

    Ninguém vê o meu copo,

    ninguém vê o meu chão,

    Sou eu e a minha sombra na escuridão.

    (na escuridão...)

    Guardo a garrafa onde ninguém a consegue encontrar,

    Bebo um trago rápido para o peito acalmar.

    Às escondidas do mundo,

    aos olhos de ninguém,

    Para não verem o vazio que esta alma tem.

    Dizem que o vício é uma escolha ou fraqueza,

    Mas é só um refúgio quando falta a certeza.

    Entre o fumo do chão e o travo do vinho,

    Vou desenhando sozinho o meu caminho.

    Sei que o fundo do poço está cada vez mais perto,

    Mas na berma da estrada este é o meu deserto.

    Bebo muito vinho, mas é às escondidas,

    A curar em segredo estas velhas feridas.

    Apanho beatas do chão da cidade,

    À procura de um resto de dignidade.

    Ninguém vê o meu copo,

    ninguém vê o meu chão,

    Sou eu e a minha sombra na escuridão.

    Às escondidas...

    longe do olhar.

    Mais uma beata para o tempo passar.

    O copo está vazio,

    a noite está fria...

    Mas amanhã... amanhã é outro dia.

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