

(ahhhh) Caminho pelas ruas onde ninguém me vê,
Toda a gente corre,
ninguém quer saber o porquê.
Maços vazios atirados para o passeio,
Eu sigo de cabeça baixa,
no meu próprio meio.
Aquela ali ainda dá duas passas,
Sobras de quem tem pressa e passa pelas praças.
Dizem que é vício,
dizem que é desespero,
Mas na falta de tabaco,
o chão é o meu celeiro.
Sento-me no banco, o filtro já queima os dedos,
Fumo o silêncio e os meus próprios medos.
Olho para baixo, a cidade está cinzenta,
Apanho beatas do chão,
a pressa alimenta. Risco o isqueiro,
o fumo sobe ao ar,
É
o que me resta para o dia passar.
Cinzas da calçada, fumo no pulmão,
O que o mundo deita fora,
eu seguro na mão.
Cada beata apanhada tem uma história gravada,
Uma marca de batom,
uma conversa inacabada. Um homem de fato que a deitou fora com
pressa, Um miúdo na paragem a quebrar uma promessa.
Eu junto os pedaços,
refaço o tabaco, O orgulho já lá vai,
o bolso está fraco.
Mas quando a brasa acende e o fumo me abraça,
Esqueço a rotina e tudo o que me desgasta.
É a sobrevivência da rua,
o fumo que resta,
Enquanto o mundo gira e finge que faz festa.
Olho para baixo,
a cidade está cinzenta,
Apanho beatas do chão,
a pressa alimenta. Risco o isqueiro,
o fumo sobe ao ar,
É
o que me resta para o dia passar.
Cinzas da calçada, fumo no pulmão,
O que o mundo deita fora,
eu seguro na mão. (uuhhh)
(fumo no pulmão...)