

Construímos abrigos para tempestades alheias
enquanto a chuva invadia a
sala da nossa própria casa
Era uma urgência bonita,
essa nossa mania de ser o farol de qualquer barco perdido de
entregar o nosso fôlego
para quem mal sabia respirar
Fomos esvaziando nossos bolsos de sonhos e de tempo
para preencher a esperança de quem cruzava o nosso caminho
Até que o cansaço sentou na beirada da nossa cama
Nos olhamos no escuro e percebemos que amar o mundo inteiro
nos custou o pedaço que nos fazia inteiros
Então nós fechamos a porta
Não por egoísmo, mas por instinto puro de sobrevivência
Decidimos que era hora de costurar as nossas próprias asas
e voltar a escutar o silêncio que mora entre a gente
Descobrimos que dar a volta por cima era,
simplesmente, lembrar de olhar para dentro
Hoje o nosso abraço ainda acolhe
mas aprendemos a desenhar os contornos do nosso limite
Ajudar o outro só faz sentido
quando a gente não se abandona no meio do caminho A
gente se salvou
E, ao nos salvar,
o nosso mundo voltou a girar no tempo certo
Inteiros
Juntos